Armagedom Armagedom

Armagedom

Uma das vozes mais longevas do punk pesado brasileiro

De São Paulo para o mundo, o Armagedom construiu uma trajetória marcada por hardcore, punk, thrash e death metal, mantendo a urgência crítica e a ética DIY que definem sua origem.

Nascido na efervescência da cena punk paulistana, o Armagedom começou a tomar forma no fim de 1982, quando Javier, Zero, Barriga e Ricardo passaram a ensaiar sob o nome Última Chance. Depois de uma breve fase como Rad Esquerda, o grupo adotou o nome Armagedom em 1984, ano que marca oficialmente o início da banda em sua identidade mais conhecida. A formação também ganhou Eduardo no baixo, consolidando o quarteto que registraria o primeiro material do grupo.

A proposta sempre foi direta: transformar a experiência cotidiana de pobreza, morte, injustiça, agonia e desesperança em música rápida, pesada e sem concessões. No fim de 1984, a banda gravou uma fita com 14 faixas no estúdio Eldorado. Duas delas, “Mortos de Fome” e “Super Projetos”, entraram na coletânea Ataque Sonoro, registro fundamental para compreender a circulação do hardcore brasileiro daquele período.

Em 1986, veio o primeiro LP, Silêncio Fúnebre, gravado no estúdio Vice-Versa e lançado pela Rainbow Records. O disco se tornou um dos principais marcos da discografia do grupo. Décadas depois, a gravação ganhou uma edição remasterizada pela Punk Vortex, lançada em 2021 a partir da fita original recuperada. O álbum reúne 14 faixas, entre elas “Sofrer Demais”, “Cegos por Ódio”, “Gritos de Dor”, “Políticos, Militares, Religiosos”, “Torturam os Pobres”, “Sobreviver” e “Asilo na Existência”.

A história do Armagedom é feita de pausas, retornos e reinvenções. Após o primeiro ciclo da banda, o grupo voltou a atuar em 1999 e lançou Das Cinzas ao Inferno em 2001. A partir daí, ampliou sua presença no circuito underground brasileiro e internacional, com passagens pela Europa em 2005, 2008 e 2013. Em entrevista publicada pelo Cultura em Peso, Claudinei relatou apresentações na Alemanha, Suécia, Holanda, Dinamarca, Itália, Áustria, Polônia, República Tcheca e Finlândia, país que ele descreveu como especialmente receptivo à banda.

A discografia posterior confirma a amplitude do som do grupo. Sem Esperanças saiu em 2008; 10 Mil Anos de Terror, em 2013; e Em Lenta Decomposição, em 2018. Entre álbuns, EPs e splits, o Armagedom desenvolveu uma linguagem própria, na qual a crueza do punk dos anos 1980 encontra o peso do metal extremo e a densidade de letras voltadas à violência social, à alienação e à sobrevivência.

Mais do que uma banda de arquivo, o Armagedom representa a continuidade de uma atitude. Sua música preserva a tensão, a independência e o senso de urgência que marcaram a formação da cena punk brasileira, ao mesmo tempo que incorpora novas camadas de peso. A própria banda se apresenta como um projeto de “Deathcore Punk desde 1984”, vindo de São Paulo e operando sob uma lógica DIY.

Com uma trajetória que atravessa quatro décadas, o Armagedom permanece como referência para quem entende o punk não apenas como gênero musical, mas como prática de autonomia, confronto e memória. Entre fitas, vinis, turnês e novas gerações de ouvintes, a banda segue conectando a história do underground brasileiro ao presente.

One of the longest-running voices of Brazilian heavy punk

From São Paulo to the world, Armagedom built a trajectory marked by hardcore, punk, thrash, and death metal, keeping the critical urgency and DIY ethic that define its origins.

Born in the ferment of São Paulo’s punk scene, Armagedom began taking shape at the end of 1982, when Javier, Zero, Barriga, and Ricardo started rehearsing under the name Última Chance. After a brief phase as Rad Esquerda, the group adopted the name Armagedom in 1984, the year that officially marks the start of the band under its best-known identity. The lineup also gained Eduardo on bass, cementing the quartet that would record the group’s first material.

The approach was always direct: turn the everyday experience of poverty, death, injustice, agony, and hopelessness into fast, heavy, uncompromising music. At the end of 1984, the band recorded a 14-track tape at Eldorado studio. Two of those songs, “Mortos de Fome” and “Super Projetos,” made it onto the compilation Ataque Sonoro, an essential record for understanding how Brazilian hardcore circulated at the time.

In 1986 came the first LP, Silêncio Fúnebre, recorded at Vice-Versa studio and released by Rainbow Records. The album became one of the main milestones of the group’s discography. Decades later, the recording got a remastered edition from Punk Vortex, released in 2021 from the recovered original tape. The album gathers 14 tracks, including “Sofrer Demais,” “Cegos por Ódio,” “Gritos de Dor,” “Políticos, Militares, Religiosos,” “Torturam os Pobres,” “Sobreviver,” and “Asilo na Existência.”

Armagedom’s history is made of pauses, comebacks, and reinventions. After the band’s first cycle, the group became active again in 1999 and released Das Cinzas ao Inferno in 2001. From then on, it expanded its presence in the Brazilian and international underground, touring Europe in 2005, 2008, and 2013. In an interview published by Cultura em Peso, Claudinei described shows in Germany, Sweden, the Netherlands, Denmark, Italy, Austria, Poland, the Czech Republic, and Finland, a country he called especially welcoming to the band.

The later discography confirms the breadth of the group’s sound. Sem Esperanças came out in 2008; 10 Mil Anos de Terror in 2013; and Em Lenta Decomposição in 2018. Across albums, EPs, and splits, Armagedom developed a language of its own, where the rawness of 1980s punk meets the weight of extreme metal and the density of lyrics focused on social violence, alienation, and survival.

More than an archival band, Armagedom represents the continuity of an attitude. Its music preserves the tension, independence, and sense of urgency that shaped the Brazilian punk scene, while adding new layers of weight. The band itself describes the project as “Deathcore Punk since 1984,” coming from São Paulo and operating on DIY principles.

With a trajectory spanning four decades, Armagedom remains a reference for anyone who understands punk not only as a musical genre, but as a practice of autonomy, confrontation, and memory. Through tapes, vinyl, tours, and new generations of listeners, the band keeps connecting the history of the Brazilian underground to the present.